O latido é uma das formas de comunicação vocal dos cães, que se desenvolve entre 2 e 4 semanas de vida. Os primeiros latidos de um filhote surgem em tom de brincadeira, sendo que os latidos agressivos só surgem a partir de 12 semanas de idade.
Os latidos podem estar associados à busca de atenção, alerta, guarda, dor, brincadeira, cumprimento, arrebanhamento, caça ou ameaça. Os timbres de voz de um latido variam conforme a sua “função”, mas para entendermos o que o cão está tentando comunicar, devemos observar o contexto ambiental e suas posturas e expressões.
Na mesma situação, dois cães podem latir por motivações diferentes. Na chegada de visitas em casa, um cão pode latir por medo ou por guarda, a diferença é percebida pela sua postura: cauda retraída, orelhas para trás, evitando contato visual indicam medo, enquanto uma postura mais asssertiva, com pelos eriçados, orelhas e cauda em pé indicam uma situação de guarda.
Quando vira um problema?
Apesar de ser um comportamento normal dos cães, os latidos, quando excessivos, podem causar muitos transtornos para o proprietário. Problemas com os vizinhos, multa de condomínio e noites mal dormidas são só alguns dos transtornos que um cão latindo descontroladamente pode causar.
Para lidar com essa situação, é necessário entender porque o cão está latindo tanto. Tente observar as situações objetivamente, sem interpretar. Pergunte-se: Há algum ruído do lado de fora de casa? Ele late quando está querendo atenção, comida, passeio, etc? Late quando visitas entram na sua casa? Qual é a postura dele quando late, ele está confiante ou muito medroso? Observando o animal durante essas situações, conseguimos entender porque ele está latindo.
Muitas vezes, as causas se misturam, especialmente em cães que apresentam esse problema há algum tempo. Os problemas com latidos geralmente são causados por busca de atenção e por guarda. No primeiro caso, devemos entender que qualquer tipo de interação é considerado atenção pelo cão, até mesmo uma bronca. Por isso, comportamentos inadequados em busca de atenção do dono devem ser ignorados completamente, ou seja, o cão não deve nem ser olhado!
Os cães que latem na porta por qualquer barulho estão tentando proteger seu território de qualquer perigo. Esses cães devem entender que isso não é necessário, que está tudo bem. Se a família inteira gritar com ele quando ele estiver latindo, vai parecer que todos estão latindo com ele...pense bem: quando você vai dar bronca, se abaixa e grita em um timbre parecido com um latido, não é? Portanto, você está reforçando o comportamento dele.
As punições físicas tendem a agravar o quadro. A solução nesses casos pode ser o uso de enforcador de pano (não machuca) e guia: o cão deve receber trancos, seguidos da palavra NÃO sempre que latir na porta. Se ficar quieto e calmo, recebe carinho e/ou petiscos. Para controle total da situação, um treino é feito com alguém tocando a campainha. Alguns cães são mais resistentes e o uso de estímulos sonoros aversivos pode ser necessário, como latinha com pedras, buzina ou o que mais a criatividade permitir!
Esses estímulos também devem ser usados quando o cão late se o proprietário não estiver em casa, pois a punição é despersonalizada, ou seja, ele não deve perceber que é o dono que está fazendo o barulho, ele “cai do céu” toda vez que ele late! Existem algumas coleiras especiais anti-latido, que emitem um spray de citronela ou um ultrassom toda vez que o animal latir. Nem sempre funcionam, pois muitas vezes a motivação do cão é tão alta para latir, que ele acaba se acostumando com o estímulo aversivo das coleiras.
Fatores determinantes
Cães que não fazem muito exercício, que não passeiam e não brincam tendem a apresentar mais problema com latidos.
Uma das formas de lidar com o estresse e o tédio é latir, é uma atividade para eles. Por isso, antes de começar a intervir na questão do latido, é importante gastar a energia do seu cão, com passeios (uma hora por dia, no mínimo), brincadeiras dentro e fora de casa e brincadeiras com outros cães. Se o problema for recente, o aumento de atividade física pode atenuar os latidos, mas se for uma questão antiga, os treinos para não latir devem ser associados aos exercícios.
Algumas raças tem maior tendência a latir, é o caso dos cães muito pequenos, como o Pinscher, o Chiuahua, o Poodle e o Yorkshire.
Cães de caça e de pastoreio também podem latir mais, como o Weimaraner, o Pointer, o Border Collie e o Pastor Alemão. Com essas raças, deve-se tomar maior cuidado desde filhotes, educando a não latir e garantindo formas de gastar energia, evitando o estresse e ansiedade.
Cuidados
Se o seu cão late por medo, as técnicas acima não podem ser utilizadas, pois podem exacerbar o medo do animal. Primeiramente, devemos tratar o medo do cão, para depois intervir nos latidos.
Se o seu cão for muito agressivo, as técnicas acima também não são recomendadas, pois ele pode direcionar a agressividade a você. Primeiro, controla-se a agressividade, para então intervir nos latidos. A agressividade é um problema muito sério, que não é restrito a cães de guarda e de grande porte. Procure a ajuda de um especialista e não tente lidar com os latidos de um animal agressivo sozinho.
No caso de cães muito dominantes, outras ações devem complementar as técnicas descritas, para que o cão entenda que não é ele que manda naquele território.
A ansiedade de separação pode ser a causa de latidos
descontrolados
quando o proprietário sai de casa.
O cão demonstra outros sinais, como
hipersalivação, vômitos, xixi e coco fora do lugar no período de
ausência do dono. Arranha portas e janelas, chora, além de mostrar
apego excessivo a uma pessoa. Nesse caso, uma intervenção na ansiedade
de separação deve atenuar os latidos.
Dra. Joice Peruzzi
Médica Veterinária - CRMV-RS 10379.
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